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O Legado de Enedina Alves Marques e a Realidade Atual

Hoje, 23 de junho, celebramos o Dia Internacional da Mulher na Engenharia. Mais do que uma data comemorativa, este é um momento de reflexão sobre o espaço que as mulheres ocupam e ainda precisam conquistar no nosso mercado.

Apesar de todos os avanços sociais das últimas décadas, o ramo da engenharia ainda é um ambiente majoritariamente masculino. Para se ter uma ideia da realidade brasileira, as engenheiras correspondem a apenas 20% dos registros no Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA).

Diante desse cenário desafiador, olhar para o passado nos dá o combustível necessário para construir o futuro. E não há exemplo melhor para nós, futuros e atuais engenheiros civis, do que a história de Enedina Alves Marques.


Quem foi Enedina Alves Marques?


Nascida em Curitiba (1913-1981), Enedina não apenas desafiou as estatísticas de sua época, mas cravou seu nome na história como a primeira mulher a se tornar engenheira no Paraná e a primeira engenheira negra do Brasil.


IMAGEM 1: Enedina Alves Marques

Uma Trajetória de Obstáculos Extremos


Estudar nas décadas de 1920 e 1930 era um privilégio restrito no Brasil. O país enfrentava um índice de analfabetismo que afetava cerca de 71% da população, dentro de um sistema educacional fortemente elitista e descentralizado. Essa exclusão social era ainda mais severa com a população negra.

Criada por sua mãe, Dona Duca, que trabalhava como lavadeira, Enedina foi alfabetizada porque o empregador de sua mãe pagou seus estudos em uma escola particular para que ela fizesse companhia à filha dele, Isabel. A partir dali, ela traçou um caminho de pura determinação:


  • A Base na Educação: Formou-se como normalista (professora) em 1935 e lecionou por um curto período no interior do estado.

  • O Sonho da Engenharia: Para progredir e alcançar o ensino superior, voltou a Curitiba. Entre 1935 e 1937, morou com a família do construtor Mathias Caron, pagando sua estadia com serviços domésticos. Embora não haja registros de que ele a influenciou diretamente, o convívio diário a aproximou do universo da construção civil.

  • A Conquista do Diploma: Após cursar o pré-engenharia no período noturno , ela ingressou na Universidade Federal do Paraná em 1940 e graduou-se em Engenharia Civil no ano de 1945.


Grandes Obras e o Reconhecimento Técnico


A carreira de Enedina provou que ela era brilhante no que fazia. Ingressando no serviço público em 1946 como auxiliar de engenharia , ela rapidamente assumiu cargos de liderança, tornando-se chefe de hidráulica e chefe do serviço de engenharia do Paraná.

Entre suas maiores contribuições para a infraestrutura do país, destacam-se:


  • Plano Hidrelétrico do Estado: Atuou diretamente no aproveitamento das águas dos rios Capivari, Cachoeira e Iguaçu.

  • Usina Capivari-Cachoeira: Participou ativamente do projeto daquela que se tornou a maior hidrelétrica subterrânea do sul do país, considerada um de seus maiores feitos.

  • Edificações Urbanas: Deixou seu legado na construção do Colégio Estadual do Paraná e da Casa do Estudante Universitário de Curitiba.


Enedina se aposentou em 1962. Quando faleceu, em 1981, um jornal local tentou apagar sua relevância histórica ao retratá-la apenas como uma "idosa excêntrica", o que gerou imediata indignação e protestos por parte dos membros do Instituto de Engenharia do Paraná, que conheciam o seu real valor.


O Futuro da Engenharia Civil Passa pela Diversidade


A trajetória de Enedina ilustra perfeitamente a determinação e a habilidade das mulheres em um campo historicamente dominado por homens. Saiba que os 20% de representatividade atual no CONFEA não são um teto, mas sim um ponto de partida que precisa crescer.

Precisamos de mais mulheres projetando, calculando, liderando canteiros de obras e transformando o mercado. Que o legado de pioneiras como Enedina continue abrindo caminhos e inspirando a nossa e as próximas gerações de engenheiras!


E você, já conhecia a história da Enedina? Deixe seu comentário aqui embaixo e compartilhe este post para que mais pessoas conheçam essa gigante da Engenharia Civil brasileira!


REFERÊNCIAS:


CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA (CONFEA). Mulheres precursoras nas profissões e no sistema. CONFEA, [s.d.]. Disponível em: https://www.confea.org.br/mulheres-precursoras-nas-profissoes-e-no-sistema.


CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA (CONFEA). Neste Dia Internacional das Mulheres na Engenharia, conheça três inspirações. CONFEA, [s.d.]. Disponível em: https://www.confea.org.br/neste-dia-internacional-das-mulheres-na-engenharia-conheca-tres-inspiracoes.


MULTILIT. As 3 engenheiras que marcaram a história no mundo da engenharia. Blog Multilit, [s.d.]. Disponível em: https://multilit.com.br/as-3-engenheiras-que-marcaram-a-historia-no-mundo-da-engenharia/.


MUSEU DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS AFINS (MAST). Enedina Alves Marques. Gov.br, mar. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/mast/pt-br/assuntos/noticias/2025/marco/enedina-alves-marques.


WIKIPÉDIA. Enedina Alves Marques. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, [s.d.]. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Enedina_Alves_Marques.



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