• Guilherme Checon

TÓQUIO: ESPORTE E SUSTENTABILIDADE

Após 5 anos de espera, finalmente chegamos a mais uma olimpíada. O maior evento esportivo do mundo estava originalmente planejado para o ano passado, porém com a pandemia do COVID-19 ela foi adiada para 2021 e hoje foi realizada a cerimônia de abertura desse tão aguardado evento. Neste ano sua sede será a gloriosa cidade de Tóquio no Japão, um país conhecido por ser muito tradicional em sua construção civil, principalmente quanto ao uso de madeira em suas grandes obras clássica e modernas, e é claro que as obras feitas especialmente para as olimpíadas não iam deixar essas características de lado, porém além de aplicá-las com perfeição o evento é um exemplo que deve ser seguido quanto a reutilização de materiais e construção sustentável. Venha com a gente nesse post descobrir um pouco mais sobre as incríveis construções desse evento tão esperado.


Não é de hoje que grandes eventos como as olimpíadas e a copa do mundo são uma porta de entrada para os elefantes branco, obras grandiosas que após a finalização do evento não são devidamente utilizadas. Pensando nisso, o governo japonês buscou ter um grande foco na sustentabilidade em suas obras, que além de representar a cultura japonesa em sua essência para os atletas visitantes, após o evento muitos locais vão ser desmontados e a madeira utilizada em suas construções vão ser devolvidas para as cidades que doaram os materiais para a construção.


Mas você pode ter se perguntado: Madeira? Sim, Madeira! Este material sempre esteve presente na construção civil japonesa, desde os templos budistas com o Byodo-in do período Asuka (538 e 710 d.C).

Até obras modernas como o Asakusa Culture Tourism Center, é inegável o apreço que os japoneses têm por esse material e por isso não havia a menor possibilidade dela ficar fora de um dos maiores eventos que o país sediaria após muitos anos.


Uma cultura forte mais uma visão de sustentabilidade não poderia resultar em algo menos que incrível, então venha com a gente conhecer um pouco mais sobre as obras que você verá durante toda a olimpíada, a construção de cada uma e o que será dela após o evento.


Para sediar um evento de tal magnitude vão ser necessárias 43 instalações, sendo 25 que foram reformadas, 8 novas e 10 temporárias, como dito anteriormente buscou-se misturar a cultura com a sustentabilidade para tornar o evento um marco para a sociedade (JARANDILHA, 2020).



Vila Olímpica


A vila olímpica é o local que abriga os atletas de todas as delegações presentes na competição, e devido aos protocolos de combate a covid-19, todos vão ser obrigados a se hospedar nela. O complexo é formado por 21 edifícios de 10 andares e todo seu interior é focado no reaproveitamento de materiais, com camas de papelão, colchões de polietileno (que após o evento vão ser reutilizados para fabricação de outros produtos de plástico) e vários móveis de madeiras doadas por cidades que serão retornadas no futuro.

Foto: Carl Court/Getty Images

Porém, o ponto que mais chama a atenção é a praça da vila, que tem área de 5.300 metros quadrados e é construída com 40 mil peças de madeira doadas por 63 governos municipais Segundo Nariki Makihara, gerente de sustentabilidade da instalações de Tóquio-2021,a principal característica dessa olimpíada é que a madeira não é só usada na praça e sim em diversos locais do evento.

Foto: Yomiuri/Japan News

O futuro desse complexo parece bem promissor, pelo planejamento do governo japonês foram construídos apartamentos simples na vila olímpica, buscando que no futuro o local se torne um local acessível para todos, um futuro muito mais promissor que a vila olímpica do Rio, que se tornou um condomínio de luxo.


Estádio Nacional


O local que será o palco das cerimônias de abertura e encerramento tinha que ser a personificação das ideias citadas anteriormente e foi isso que o arquiteto Kengo Kuma conseguiu com a reforma do Estádio Nacional, mesclando materiais tradicionais da construção civil com a clássica madeira de cedro que é característica da arquitetura japonesa.


Estádio Nacional. Foto: Arne Müseler/Wikicommons

O estádio original que sediou as Olimpíadas de 1964 foi demolido e seu novo modelo com capacidade para 60 mil pessoas foi finalizado em 2019


Ginásio Nacional Yoyogi


Outra espaço remanescente do jogos de 1964, esse ginásio chama muita atenção por seu projeto estrutural inovador, misturando estéticas clássicas japonesas com o modernismo, que cria curvas distorcidas em toda sua extensão, criando um dos perfis de construção mais icônicos do mundo.

Centro Ariake:


Uma das novas obras pensadas para as olimpíadas deste ano conta com uma dimensão de 2.300 metros cúbicos e tem o considerado maior teto de madeira do mundo, esse que foi construído com madeira de reflorestamento, buscando mostrar a tradicionalidade do artesanato japonês.

Centro Ariake. Foto: Ken’ichi Suzuki/Archdaily

Centro Ariake. Foto: Tokyo 2020/Uta MUKUO

pós a realização do evento, todo o material será devolvido às prefeituras da Ilha de

Hokkaido e da cidade de Nagano, onde ele foi originalmente recolhido, focando sempre na ideia de sustentabilidade que está presente em todo o evento.


Arena Ariake:


Outra construção inédita, a arena arake se destaca pelo seu teto convexo que é revestido de painéis solares, já que sua localização permite uma captação privilegiada de raios solares durante todo o dia. Após o evento ela continuará em funcionamento como arena esportiva e cultural, podendo ser palco de shows, teatros, musicais, etc.


Arena Ariake. Foto: Arne Müseler/Wikicommons

Estádio de Azuna:


Por fim temos o estádio que é um símbolo da reconstrução japonesa, pois ele se localiza em Fukushima, região que foi atingida por um tsunami em 2011 que acarretou um acidente nuclear. Esperamos que assim como esse estádio, as olimpíadas possam ser um símbolo de renovação da vida após a pandemia do covid-19.


Estádio de Azuna. Foto: Divulgação/Tokyo2020

Agora que chegamos ao fim de nosso post, não poderíamos deixar de falar das medalhas para os atletas vencedores, essas que foram feitas a partir de lixo eletrônico coletado em diversos municípios de todo o Japão desde 2017, ao todo serão 5 mil medalhas distribuídas ao longo das competições (LOPES, 2018), fazendo com que os atletas além da vitória levem no peito a ideia de sustentabilidade e reconstrução que está no sangue dessa Olimpíada.


Medalhas. Foto: Divulgação/Tokyo2020

Essa olimpíada tem tudo para ficar na história, seja por ser o primeiro grande evento pós-covid ou pelas ideias de inovação e sustentabilidade apresentadas pelo governo japonês, de qualquer forma temos certeza que vai ser um evento imperdível e estamos na torcida para a nossa comissão olímpica nos representar muito bem nessa competição. VAI BRASIL!!!


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REFERÊNCIAS:

OFICINA DE TEXTOS (Brasil). Jogos Olímpicos de Tóquio: conheça as principais obras do evento. [S. l.], 2020. Disponível em: https://www.ofitexto.com.br/comunitexto/jogos-olimpicos-de-toquio/. Acesso em: 21 jul. 2021.


LOPES, Barbara. Medalhas dos Jogos de Tóquio serão produzidas a partir de lixo eletrônico. [S. l.], 13 ago. 2018. Disponível em: https://oglobo.globo.com/esportes/medalhas-dos-jogos-de-toquio-serao-produzidas-partir-de-lixo-eletronico-22972174. Acesso em: 21 jul. 2021.


FELIX, Wesley. Praça da Vila Olímpica de Tóquio-2020 será feita de madeira reutilizável. [S. l.], 2 jan. 2020. Disponível em: https://www.surtoolimpico.com.br/2020/02/praca-da-vila-olimpica-de-toquio-2020.html?m=1. Acesso em: 21 jul.


ARCHDAILY. Clássicos da Arquitetura: Ginásio Nacional Yoyogi / Kenzo Tange. [S. l.], 24 jul. 2017. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/876371/classicos-da-arquitetura-ginasio-nacional-yoyogi-kenzo-tange. Acesso em: 21 jul. 2021.


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