• Letícia Gaspar

QUAL TIPO DE CIMENTO DEVO USAR NA MINHA OBRA?

Atualizado: Set 30

Você sabe quais são os tipos de cimento existentes e as diferenças entre eles? Os códigos, aditivos, etc? Não se preocupe, até o final dessa leitura você vai estar pronto para escolher o cimento adequado para a sua obra.

Mas antes, vamos entender um pouco de onde veio esse que é um dos materiais mais utilizados na engenharia civil.


DE ONDE SURGIU O CIMENTO?


O Cimento Portland (CP) é o mais utilizado e foi descoberto por um homem chamado Joseph Aspdin, que resolveu queimar umas pedras calcárias com argila. O nome Portland vem da ilha que tem as pedras da cor do cimento. Com o passar dos anos resolveram fazer outros testes e descobriram que com a mistura de escória siderúrgica (um resíduo na fabricação de aço) e materiais pozolânicos o cimento adquiria outras propriedades interessantes.


COMPONENTES DO CIMENTO PORTLAND


Para saber como escolher o cimento da sua obra, você precisa entender do que ele é feito, veja seus componentes a seguir:

  • Clínquer: O clínquer tem como matérias-primas o calcário e a argila moídos. A mistura passa por um forno e o calor transforma essa mistura em clínquer.

  • Gesso: O gesso tem como função básica controlar o tempo de pega, sem ele a pega seria quase imediata.

  • Adições: As adições têm como função principal reduzir o consumo de clínquer, conservando as propriedades do cimento, e consequentemente reduzir o consumo de energia em sua fabricação. Portanto, partimos do entendimento de que todos os cimentos com adições podem ser utilizados em situações comuns.

As principais adições são escórias granuladas de alto-forno, materiais pozolânicos e materiais carbonáticos.



O QUE SIGNIFICA O CÓDIGO DO SACO DE CIMENTO?



Na hora de preparar o concreto na betoneira, se repararmos nas embalagens de cimento encontramos a sigla CP seguida de algarismos romanos de I a V. O CP já sabemos o que significa, e os algarismos por outro lado irão classificar o tipo de cimento. A seguir vamos entender melhor o que cada algarismo significa:


CP I: É o nosso cimento mais comum, ele é o cimento “original”, sem adições.


CP II: São os cimentos compostos e apresentam características diferentes de acordo com as adições (representam cerca de 75% da produção industrial no Brasil):

  • CP II-E: A adição de escória de alto forno faz com que o cimento libere menor calor na hidratação. Isso é interessante para algumas estruturas que necessitam de desprendimento de calor mais lento. Ao liberar o calor mais lentamente, reduz a probabilidade de ocorrência de fissuras e trincas no processo de cura.

  • CP II-Z: A adição de materiais pozolânicos faz com que o cimento tenha menor permeabilidade, tornando-o útil para obras subterrâneas e com presença de água.

  • CP II-F: A presença do fíler permite melhor trabalhabilidade, portanto é um cimento muito utilizado para preparo de argamassas, estruturas de concreto armado ou qualquer outra estrutura que não esteja em um ambiente muito agressivo, principalmente com presença de sulfatos.

CP III: O cimento de alto forno possui muito mais escória do que seu irmão mais simples, o CP III-E. Portanto, o calor liberado na hidratação é ainda mais lento, apresenta baixa permeabilidade e alta durabilidade. É utilizado para obras grandes, que possuem peças enormes, como barragens, estradas, tubos para transporte de líquidos agressivos, etc.


CP IV: O cimento pozolânico também possui muito mais pozolana do que seu irmão CP II-Z, sendo mais impermeável e durável, e muito utilizado em obras com ação de água corrente e ambientes agressivos. À longo prazo, o concreto com CP IV apresenta resistência maior do que o concreto feito com cimento comum.


CP V – ARI: O cimento ARI (alta resistência inicial) não possui aditivos. Porém, seu clínquer possui dosagem diferenciada. Esse tipo de cimento pode atingir até 26 MPa com 1 dia de cura! É indicado para obras que necessitam de desforma rápida.

Resumindo, temos:

  • CP I – Cimento comum

  • CP I-S – Cimento comum com adição

  • CP II – Cimento composto

  • CP II-E – Cimento composto com escória

  • CP II-Z – Cimento composto com pozolana

  • CP II-F – Cimento composto com fíler

  • CP III – Cimento de alto forno

  • CP IV – Cimento pozolânico

  • CP V-ARI – Cimento de alta resistência inicial


APLICAÇÃO INDICADA


E por último, a lista de locais de aplicação e os tipos mais recomendados de cimento para você nunca mais errar nas suas obras:



ESTOCAGEM DO CIMENTO


O cimento deve ser armazenado de forma cuidadosa. A seguir, temos algumas indicações que devemos seguir:

  • Estocar em local seco, coberto e fechado, longe de tanques, torneiras e encanamentos (molhou, endureceu…);

  • Usar pallets para evitar contato com o piso e facilitar o transporte;

  • Não formar pilhas maiores do que 10 sacos. Excesso de compressão pode endurecer o cimento;

  • Utilizar primeiro o cimento estocado há mais tempo. O cimento, bem estocado, é próprio para uso por três meses.

  • Evite estocá-lo em temperaturas abaixo de 12°C antes do uso. A temperatura baixa pode ocasionar um retardamento do início de pega.

Mesmo com todos esses cuidados alguns sacos de cimento podem estragar. Às vezes, o empedramento é apenas superficial. Se esses sacos forem tombados sobre uma superfície dura e voltarem a se afofar, ou se for possível esfarelar os torrões com os dedos, o cimento desses sacos ainda serve para o uso normal.


E aí, se sente pronto para escolher o tipo de cimento ideal para a sua obra?

Calma! Se você ainda não se sente seguro, é normal. Afinal, essa escolha deve ser feita com o auxílio de um profissional adequado. Nós da Edifica Consultoria, trabalhamos para oferecer os melhores serviços de engenharia, entre em contato conosco e agende a sua visita, estamos esperando você!


Fontes utilizadas:


http://www.universidadetrisul.com.br/materiais/cimentos-especiais

http://engenheironocanteiro.com.br/tipos-de-cimento-portland/


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