• Yan Medeiros da Cruz

A maior ponte estaiada do mundo


Pensado com intuito de facilitar e baratear a locomoção pelos vales franceses da região de Languedoc, a Ponte de Millau é uma mega estrutura magnífica, que levou as fronteiras da engenharia aos limites.

Seu pilar mais alto chega a incríveis trezentos e quarenta e três metros de altura. A equipe de construção teve de enfrentar três grandes desafios: construir a ponte de cabo fixa mais alta do mundo, colocar uma via expressa de trinta e seis mil toneladas sobre ela e erguer sete torres de aço, cada uma com um peso de setecentas toneladas.

O projeto

Michel Virlogeux, especialista em pontes, foi o responsável pela criação da ponte de Millau. Ela prometia ser diferente de qualquer coisa antes tentada. Ao invés de ter dois grupos de cabos sustentando o passadiço, tem apenas um, fazendo com que a linha remanescente tivesse que fazer duas vezes o seu trabalho. E, em vez de uma envergadura principal, os 2,5 Km da ponte teriam envergaduras múltiplas sendo sustentadas por apenas um grupo de cabos.


A construção dos pilares


Tudo na execução do projeto foi exagerado, foram necessárias duzentas mil toneladas de concreto. Para suprir essa necessidade precisou-se construir uma fábrica de concreto na região. O concreto não era convencional, e precisaria de uma grande força estrutural para suportar as cargas, e não poderia secar rápido demais, uma vez que seria despejado de centenas de metros de altura.

O desenho arquitetônico da obra foi um grande desafio na execução. A precisão é de extrema necessidade. Não havia margem para erros. Para a construção dos pilares foram utilizados moldes temporários nos quais o concreto era derramado. Esses moldes tinham quatro metros de altura e para a construção de todos os pilares eles tinham que ser retirados e montados novamente centenas de vezes, o que exigia uma grande precisão nos cálculos do posicionamento das barras de aço.


A construção do passadiço

A segunda parte da execução do projeto viria a seguir. Eles teriam que colocar uma rodovia de 2,5 Km pesando trinta e seis mil toneladas em cima dos pilares de duzentos e setenta metros de altura. Os construtores da ponte sabem do perigo de trabalhar nessa altura. A história está repleta de fatos que contam dezenas de mortes em acidentes na construção de pontes. Pensando nisso, a equipe decidiu fazer toda a construção do passadiço em terra. Por conseguinte, ele seria construído todo em aço, considerando que, teoricamente, seria bem mais seguro do que levantar diversas seções de concreto até centenas de metros de altura.

Um grande problema do processo era levar o passadiço sobre o vale numa envergadura de mais de trezentos metros, visto que o mais longe que alguém tinha chegado antes foi apenas a metade disso. A primeira solução foi encaixar um pilar de modo que seus cabos sustentassem a parte da frente do passadiço enquanto ele era deslizado sobre o vale, depois seria a vez de construir torres de aço provisórias que reduzissem a envergadura em até cento e setenta e um metros.

Para evitar que as metades do passadiço levassem os pilares ao chão enquanto deslizavam foi preciso reinventar a maneira como esse esquema era feito. A solução encontrada foi usar uma série de esquemas de lançamentos para levantar o passadiço e leva-lo para frente. Foram instalados quatro desses esquemas em cada pilar, sincronizados para funcionarem todos ao mesmo tempo. A cada quatro minutos o passadiço avançava seiscentos milímetros sobre o vale. O lançamento ia ocorrendo como o esperado, porém a cada impulso dos pistões o passadiço ficava mais exposto às condições do tempo e, com o formato de uma asa de avião, ele podia levantar voo a qualquer momento, considerando as condições do clima da região que chega a ventos equiparáveis a furacões.

O último estágio da construção


Durante quatorze meses as metades do passadiço foram empurradas sobre o vale e avançavam em direção uma a outra.

Por dois dias o passadiço avançou em encontro a outra extremidade e o vão se tornava cada vez menor até que finalmente se encontraram e a precisão nos cálculos foi de impressionantes 99,999%, ficando alinhados por apenas um centímetro.

Por fim, no dia 14 de dezembro de 2004, a ponte foi inaugurada pelo então presidente da França, Jacques Chirac. Contra todas as probabilidades, a ponte mais alta do mundo, projetada para durar pelo menos cento vinte anos, conseguiu ser erguida no prazo e sem ocorrência de nenhum acidente grave. Logo, no primeiro verão a empresa arrecadou de volta seu investimento, e cabe a ela a difícil tarefa de manter o funcionamento da ponte.


Video: https://www.youtube.com/watch?v=oy8s_k5CaCA

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© 2016 por Edifica Consultoria.

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